Ninguém é o dono da verdade, diz Mandetta

ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta fala à imprensa

“Não existe ninguém que é o dono da verdade. Não existe Estado que possa falar que é melhor que o outro. Hoje esse medicamento não tem paternidade. Não tem que politizar esse assunto”, disse Mandetta, referindo-se diretamente ao governo de São Paulo.

Como não fazia há muito tempo, Mandetta fez questão de citar o nome de Bolsonaro em sua defesa do governo. “Para todos aqueles com ânimos mais exaltados, aqui está tudo bem”, disse o ministro “Essa estrada vai ter dias muito duros. Quem comanda esse time é o presidente Jair Messias Bolsonaro”, acrescentou, mencionando o nome completo do presidente da República.

Na tentativa de tentar afastar de vez o clima ruim com o presidente, Mandetta disse ainda que Bolsonaro “em nenhum momento fez qualquer movimento de imposição” em relação à adoção da cloroquina no tratamento das pessoas. Bolsonaro defende o medicamento, disse Mandetta, mas também “sabe que precisamos que os conselhos de medicina avaliem esse uso.”

A polêmica em torno da cloroquina diz respeito a quem deve tomar o remédio, e em qual momento. O Ministério da Saúde tem defendido desde o início que se trata de uma substância que ainda não foi devidamente testada, com contraindicações sérias e que deve ser ministrada apenas pelo médico, em casos graves ou críticos de pacientes com covid-19.

Bolsonaro, porém, sempre defendeu o medicamento usado no combate à malária como um tipo de “cura” do coronavírus, e que deve ter seu uso massificado a toda a população. Os primeiros testes com paciente com sintomas leves da doença, porém, sequer tiverem início.

Na manhã desta quarta-feira, Bolsonaro recorreu às redes sociais para dizer que “dois renomados médicos” recuperados da doença se recusaram a divulgar se usaram a hidroxicloroquina durante o tratamento, referindo-se a David Uip e ao cardiologista Alexandre Kalil, que pouco depois disse que usou o medicamento.